Reunidos em Seu Nome - 2ª parte

terça-feira, 12 de agosto de 2008


Parte 2

A promessa


“Onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles”.

Sem dúvida, esta promessa é das mais preciosas. O Senhor mesmo condescende em habitar entre os Seus, aqui na terra.


De fato, esta sempre foi a vontade de Deus.


Quem poderá descrever o prazer que Deus sentiu naqueles dias alegres da inocência de Adão? Ao contemplar a Sua criação, e em particular o homem que havia criado à Sua imagem, Deus disse que era muito bom (Gênesis 1:31).


Mas durou pouco. Adão pecou. Desfez-se a comunhão que existia entre Deus e o homem e este afastou-se do seu Criador; escondeu-se entre as árvores do jardim.


O homem havia mudado a sua atitude em relação a Deus, mas Deus não mudou. O Seu amor, como Ele, é imutável. Deus achou meios pelos quais os banidos não fossem arrojados para sempre da Sua presença (veja II Samuel 14:14). Ele veio em busca do pecador (Gênesis 3:8). Mais tarde, ao tirar o povo de Israel da terra do Egito, Deus disse a Moisés: Façam um tabernáculo “para que Eu possa habitar no meio deles” (Êxodo 25:8). Ele queria habitar entre os Seus, mesmo que fosse numa tenda de madeira e pano.


Na terra de Canaã, vemos novamente o mesmo desejo no coração de Deus. Ele mandou construir o Templo, em Jerusalém, e quando este foi dedicado, nos dias de Salomão, a glória de Deus veio e visivelmente encheu a Casa (II Crônicas 6:1-2 e 7:1).


Passando para o Novo Testamento, vemos uma previsão de tempos ainda futuros, e descobrimos que Deus continua tendo o mesmo desejo. João viu, em visão, a santa cidade, a nova Jerusalém, descendo do céu, e ouviu uma grande voz do céu que dizia: “Eis aqui o Tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará” (Apocalipse 21:2-3). Portanto, não podemos nos surpreender com a promessa preciosa de Mateus 18:20. Deus quer habitar no meio do Seu povo; sempre quis e sempre há de querer. Mas como?


O Tabernáculo feito por Moisés não existe mais; o Templo que Salomão fez em Jerusalém foi destruído há muitos séculos, e a nova Jerusalém ainda não desceu dos céus. Como pode, então, Deus habitar entre os homens hoje? Onde seria o lugar da Sua habitação?


Antes de responder precipitadamente, considere o que Estêvão disse em Atos 7:48 e 49: “O Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o Meu trono e a terra o estrado dos Meus pés. Que casa Me edificareis? diz o Senhor”.


O lugar onde Ele habita hoje com os Seus não é uma casa material. Ele não se limita a um imóvel e, portanto, não podemos chamar nenhum prédio de “Casa de Deus”. Ouça mais uma vez a sua promessa: “Onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles”. A localização geográfica não é importante. Em qualquer lugar onde estiverem dois ou três reunidos em Seu nome, aí Ele estará.


Quando a mulher samaritana (João cap. 4) conversou com o Senhor, ela perguntou a respeito do lugar de adoração. O Senhor respondeu: “Mulher, crê-Me que a hora vem em que nem neste monte (onde os samaritanos adoravam), nem em Jerusalém (onde os judeus adoravam) adorareis o Pai” (v. 21). O local não mais seria importante e sim, a condição espiritual dos adoradores. O Senhor prosseguiu: “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito (em contraste com a adoração material dos judeus, que consistia em ritos e cerimônias) e em verdade (em contraste com a adoração falsa dos samaritanos)”. Estes adoradores poderiam estar reunidos numa casa ou ao ar livre ou em qualquer lugar. Não é mais o local que é importante.


Você já pensou no privilégio dos apóstolos? Estiveram com o Senhor Jesus durante três anos e meio. Que prazer! Que bênção! Dia e noite, em todas as circunstâncias, o Senhor estava sempre no meio deles. Nas dificuldades e problemas podiam recorrer a Ele; nas horas de perigo Ele estava sempre perto; nas alegrias podiam regozijar-se com Ele. Que privilégio!


Mas veja bem, meu irmão. A promessa contida em Mateus 18:20 nos garante a mesma bênção, hoje. Onde estiverem dois ou três reunidos em Seu nome, Ele ali está no meio deles. Confirmando isto, Ele disse: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mateus 28:20). É verdade que não O temos visivelmente em nosso meio, mas a Sua presença não é menos real por ser invisível. Pelo contrário, é tão real hoje quanto nos dias em que andava com os doze, pela Galiléia.


Mas a maioria dos cristãos não acredita!


Se acreditássemos, tudo seria tão diferente. Ninguém mais desejaria a primazia, nem a autoridade, pois tudo isto seria do Senhor. Os títulos distintivos (Reverendo, Pastor, Missionário, etc.) desapareceriam e seríamos todos como crianças, irmãos e servos, protegidos e controlados pelo Supremo Pastor. Não haveria mais ostentação, nem acepção de pessoas; não estaríamos ocupados uns com os outros e sim com o Senhor.


Nunca ficaríamos desanimados porque o nosso ânimo não dependeria das circunstâncias, nem das atitudes dos nossos irmãos; estaríamos firmes e inabaláveis no Senhor. Nem medo, nem tristeza teriam lugar entre nós.


A própria reunião teria um caráter diferente. A leviandade daria lugar à reverência e ninguém mais pensaria em agradar com discursos alegres e com bastante música. Seríamos atraídos ao Senhor; não haveria nenhuma outra atração.


Pense nesta maravilhosa promessa e medite nela até que o seu coração sinta a realidade disto. Não se satisfaça com nada menos do que com esta grande bênção: o Senhor em nosso meio.

R. E. Watterson

Fonte: Site, Editora Sã Doutrina.

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